Segunda-feira, Abril 28, 2008

Cenas de um belo domingo

A cidade de Campinas estava em polvorosa no domingo, devido a final do Campeonato Paulista entre Ponte Preta x Palmeiras, de modo que metade da população tirou o dia para beber de maneira imunda. Eu, que sou bugrino mas não dispenso um bom futebol, também resolvi abrir os trabalhos logo cedo. Mas por uma razão maior, visto que o amigo Moacyr Luz, depois do show de sábado, que fez no Tonico´s Boteco, tirou o dia seguinte para bater perna pelos botequins campineiros que eu, modéstia à parte (e em se tratando de Moacyr, que conhece de boteco, é uma honra), lhe apresento há coisa de seis ou sete anos, em intervalos de tempo cada vez menores. Dessa vez optamos, sabiamente, por ficar em um único lugar até a hora do almoço: a mercearia Juema, do português Manuel, na rua Santos Dumont.
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Como de praxe, começamos às onze da manhã tomando a primeira de uma série de garrafas de Original e comendo algumas sardinhas à escabeche, iguarias para se comer rezando. Iguais a esta, mas muito mais apetitosas do que na foto feita pelo Giba:
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Na mesa forte, também estava Paulo Henrique, dono do Tonico´s. O Paulo é um dono de bar que merecerá sempre meus elogios enquanto mantiver o cuidado e o respeito para com as coisas de nossa terra, incluindo aí a tradição de se freqüentar os botequins que realmente valem a pena, deixando para quem não sabe nada o péssimo hábito de alimentar os empreendimentos cada vez mais formais e distantes do que acreditamos ser o espírito do botequim. Sendo assim, acompanhado desse time, não teria como dar errado o meu domingo.
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O saldo da primeira parte do encontro foi o seguinte (e atentem para o detalhe de que ainda não era o almoço):
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10 garrafas de Original
2 doses de cachaça branca
1 dose de underberg
2 doses de ginginha
1 batida de limão
4 sardinhas à escabeche
2 porções de alheira
1 porção de torresminho
1 porção de chouriço
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Lá pelas duas da tarde, todos já bastante emocionados - e é curioso constatar que meus amigos, quando bêbados, jamais ficam chatos agressivos ou grudentos, mas sempre emotivos ao ponto de derramar lágrimas sinceras - despencamos para a casa do Amaury, próximo ao estádio da Macaca, de onde, em meio ao espocar de rojões e ao som de um samba da melhor qualidade, demos continuidade aos trabalhos iniciados pela manhã.
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A cena abaixo não deixa dúvidas quanto ao estado etílico da corja. Moacyr interpreta - acompanhado pelo maestro Adriano Dias, meu violonista preferido - um samba inédito e desconhecido, feito especialmente para o presidente Lula, quando de sua recente viagem para a Holanda, junto à comitiva presidencial. Mais sobre esta apresentação, que contou aliás com o craque do violão de sete Tiago Prata, pode ser lido no blog do Eduardo Goldenberg aqui e aqui.
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Reparem na dificuldade do Giba em segurar a câmera em linha reta. Não sei de quem é o gravador que aparece insistentemente na boca do Moa. Pra dizer a verdade, ninguém se lembra de muita coisa. É por isso que o anfitrião Amaury toma sempre a sábia decisão de registrar os almoços em sua agradável residência - ele é o sujeito da boina, com a filmadora permanentemente em punho. Há pelo menos 10 anos que ele deve estar com a filmadora nesta posição, o que lhe assegurará um lugar de destaque entre os grandes documentaristas da cidade. O careca batucando no tampo da viola é Serginho Moraes, ex-jogador da Ponte e dono de histórias de antologia - prometo contar algumas por aqui.
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Por hora deixo-lhes com este belo momento de exacerbada bebedeira e amizade, avisando que parto para o Rio de Janeiro na próxima quarta-feira e de onde volto apenas no sábado. Cuidem, portanto, bem deste boteco.
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10 comentários:

zé sergio disse...

E o alka seltzer????

Bruno Ribeiro disse...

Grande , bem lembrado! Mas essa tomamos - de litro - na farmácia da esquina, porque o Português cobra até o palito de dente.

Estarás disponível para beber na quinta-feira? Já tens meu celular, malandro.

Até!

Rodrigo disse...

Grande texto, Bruno, que inveja boa de você. Boa viagem!!!

Saudades da Guanabara!!!

Abraço

zé sergio disse...

na quinta tenho que ir a nova friburgo, a trabalho. na sexta, também vou me enrolar. melhor no sábado, na roda de samba da folha seca. até lá e boa viagem!

Szegeri disse...

Você é um felizardo, mano Bruno. Porque o querido Moacyr, quando está na Terra da Garoa, não nos dá o prazer de se esparramar conosco pelas espeluncas imundas às quais ele, declaradamente, não resiste.

Anônimo disse...

bruno,
vc esqueceu das várias cebolas em conserva, duas serramaltes de abrideira e mais outras antártictas do vizinho fâ no nacif..
ve-se pela minha voz que estou profundamente emocionado com a tarde..
e o samba, em parceria com martinho da vila, não foi feito em homenagem ao lula, eue apenas dediquei os versos primeiros que dizem "...um passarinho me disse que vamos viver pra sempre um grande amor..."
obrigado pelo carinho
moa

Arnaldo disse...

Isso é que é domingo de verdade!

Eduardo Goldenberg disse...

Quanto foi a conta da mesa, hein, Bruno??? Você eram três, certo? Foi 20% mais cara do que a conta no Rio-Brasília, 72 horas depois, para 8 pessoas, foi isso? Conta, conta, conta!

gilberto disse...

Meu colega Bruno Ribeiro, sabes que tenho-te em alta estima e consideração mas nem mesmo os mais estimados e considerados (e pior ainda jornalistas) têm o direito de faltar com a verdade.
E quanto a isto sabes também o quanto sou ranheta.
Posso ter me enganado mas passastes a impressão que querias estar onde não estavas. Infelizmente.
Além de tudo faltou dizer que o primeiro a postar o som da inédita do Moacyr Luz foi o corpo12 e nem entre aqueles onde se poderia saber mais sobre a apresentação tu o incluístes.
Até mesmo o filme do Youtube, postado lá pelo autor do corpo12, não deixastes que isto aparecesse.
Não estou puto contigo por isto!
Estou triste, muito triste!

Bruno Ribeiro disse...

Oi Giba!
Poxa, está no texto o crédito para tua foto (clicando em cima de seu nome, há um link para o Corpo 12), bem como dei-lhe sim o crédito do vídeo ao dizer "reparem na dificuldade do Giba em segurar a câmera em linha reta". Uma brincadeira de mesa de bar, evidente. Não sei onde foi que o meu texto te deixou triste. De toda maneira, escrevi numa tacada só e talvez não tenha sido tão atencioso com alguns detalhes. Quanto à nossa porranca, sabemos que comecei mais cedo com o Moa, no Português, mas quem terminou foi você, no fim de tarde - tão logo eu rumei para o estádio, onde assisti Ponte Preta x Palmeiras. Sabemos todos, ora pois! Abraço!