MUDAMOS PARA MELHOR ATENDÊ-LOS:
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TERRITÓRIO BRASILEIRO
Silêncio de um minuto, por favor. Morreu o sambista Darcy da Mangueira. Por conta da correria e outros problemas de ordem técnica, não tive tempo de registrar seu passamento na noite de segunda-feira, dia 19. Darcy lutava bravaemente contra o câncer, mas a doença foi mais forte e venceu a refrega. Seu Darcy não era, nunca foi, um sambista muito conhecido fora do universo do samba. Dentro dele, porém, foi um grande. Eu me lembro de uma roda de samba que presenciei no Carnaval de 1998, na antiga e original Casa da Mãe Joana, em São Cristóvão, glorioso bairro imperial que me viu nascer. E me lembro que foi nesta roda que ouvi Darcy da Mangueira cantando um samba-enredo de tamanha beleza que, naquele momento, nada era mais importante do que escutá-lo e, sinceramente comovido, chorar. Dez anos depois e o samba cantado por Darcy continua assentado em algum canto de minha memória. Apesar de levar a Mangueira no nome, o compositor começou na Unidos da Tijuca, escola da qual foi um dos fundadores. Nascido no morro da Formiga, este nobre tijucano foi um dos primeiros a levar para o samba-enredo a temática do negro e de suas lutas. Portanto, todo o mérito do mundo à Tijuca, que deu ao Carnaval carioca duas escolas combativas e pioneiras: Unidos da Tijuca e o meu querido Salgueiro, orgulhos da negritude na avenida. Eu queria encontrar uma maneira de terminar a modesta homenagem com um samba de Darcy. E qual não foi minha surpresa quando entrei no blog do André, o excelente O Couro do Cabrito, e me deparei com o samba-enredo que eu buscava desde 1998! Tomado de grande emoção, recomendo que vocês ouçam (ao final da leitura) O Negro na Senzala, de autoria de mestre Darcy da Mangueira, interpretado pelo próprio. Faço minhas as palavras do André: trata-se de um dos sambas-enredos mais bonitos da história. Só Luiz Antônio Simas poderá confirmar ou desmentir. Eu, porém, assim o considero. Com este samba, a Unidos da Tijuca terminou injustamente na 11ª colocação no Carnaval de 1958. A campeã daquele ano foi a Portela.
e botequim e a mística que envolve seus proprietários. Pois bem, o Pachola era uma espécie de museu que comportava a alma da cidade, dos vivos e dos mortos, da história lanhada nas paredes, dos azulejos engordurados, das mesinhas de alumínio vagabundo, das garrafas de cachaça caseira decorando as prateleiras, dos vidros de pimenta multicoloridos, dos muitos cotovelos que dividiam democraticamente (e sabe lá Deus como) o balcão mais estreito que já houve.
Pachola parou diante da porta, em silêncio. Olhou para a assepsia geral do ambiente, para a brancura quase hospitalar do recinto (percebam a foto à esq.!) e, resignado, entrou. Entrei também, um tanto quanto contrariado. Entrei por ele e só por ele. Foi então que o Pachola, pela primeira vez em 50 anos, não foi reconhecido dentro do Mercadão. Escorou-se na ponta do balcão para pedir uma cerveja, quando a mulher (não sei se dona ou gerente da bodega), segurando um PF de strogonoff, disse secamente:
A cidade de Campinas estava em polvorosa no domingo, devido a final do Campeonato Paulista entre Ponte Preta x Palmeiras, de modo que metade da população tirou o dia para beber de maneira imunda. Eu, que sou bugrino mas não dispenso um bom futebol, também resolvi abrir os trabalhos logo cedo. Mas por uma razão maior, visto que o amigo Moacyr Luz, depois do show de sábado, que fez no Tonico´s Boteco, tirou o dia seguinte para bater perna pelos botequins campineiros que eu, modéstia à parte (e em se tratando de Moacyr, que conhece de boteco, é uma honra), lhe apresento há coisa de seis ou sete anos, em intervalos de tempo cada vez menores. Dessa vez optamos, sabiamente, por ficar em um único lugar até a hora do almoço: a mercearia Juema, do português Manuel, na rua Santos Dumont.